sábado, 25 de março de 2017

ALMANAQUE TEMÁTICO - CHICO BENTO - ESCOLA - PARTE 7 - FINAL


O ALMANAQUE TEMÁTICO - CHICO BENTO - ESCOLA foi publicado em janeiro de 2013, pela Panini Comics, tem o preço de R$ 6,50 (seis reais e cinquenta centavos) na capa, o n° 25, que indica que a linha de almanaques temáticos tem mais 24 títulos lançados anteriormente, sempre pegando um determinado tema o qual pode ser focado em apenas um personagem (como é o caso deste, com o Chico Bento) ou em vários.


PROVA DE MATEMÁTICA - Chico tem prova de matemática. Uma das matérias mais temidas de muitos de nós é, também, um bicho de sete cabeças para ele. Seu pai o chama para sair um pouco, A priori, não dá para entender como um pai que preza pela educação de seu filho o diz para esquecer a prova e o leva a ir pescar. À medida que vamos lendo, vamos entendendo o que o Nhô Bento fez. Na verdade, ele usou do subterfúgio daquela atividade de lazer para ensinar ao filho várias coisas importantes de matemática. As questões fluíram tão naturalmente que Chico, entretido com o passatempo, nem percebeu que, na verdade, estava estudando. 


Achei essa HQ uma graça, pelo companheirismo entre pai e filho. Vemos sempre a mãe como mentora do papel mais importante na criação de seus pequenos, e o pai acaba ficando meio de lado, apenas requisitado em necessidades específicas. Então, uma história onde valorizaram essa relação, mostrando que um pai também tem sentimentos de amor, carinho, dá seu tempo a cuidar de seu filho, merece todo meu respeito e admiração.

Por ser ma HQ tão pequena, apesar dos traços serem os padrões em abertura ou encerramento de edições, jurava que ela apenas tivesse sido feita para compor o miolo, mas não... ela foi a abertura da revista Chico Bento n° 36, de junho de 1988, publicada pela Editora Globo. (capa)

A exemplo da postagem anterior, vemos aqui mais uma história do comecinho da Editora Globo. Já fazia cerca de um ano e meio que tinham saído da Abril. O título ainda mantinha o padrão anterior com HQs menores e mais práticas, sem ficarem enchendo linguiça com fatos desnecessários. 

Tudo me leva a crer que esses trabalhos devem ter sido concebidos ainda na era da Abril e reaproveitados nesse início de Globo. Apesar das cores diferenciadas e um acabamento gráfico simbolicamente distinto que a nova casa apresentou, dá para notar que o padrão de muitas tramas ainda era o mesmo. Ainda que já tivesse se passado um ano e meio, a impressão que fica é que a MSP tinha obras em estoque para serem publicadas.

QUEM DECLAMA... NÃO RECLAMA! - A trama abre com Chico e Rosinha namorando, sentados em um tronco qualquer da Vila Abobrinha, apaixonados e tímidos. Ele, sempre mais tímido que ela. Essa cena já se tornou clássica. Não sei se as publicações atuais ainda mantém ela. Tenho várias revistas da fase Panini aqui, mas confesso que não reparei nesse detalhe.

Mas não se enganem! É uma história de escola mesmo, com os alunos da classe do Chico, a professora Marocas e o nosso caipirinha querido se envolvendo em compromissos do calendário escolar. Na verdade, a turminha tinha que se preparar para uma apresentação especial sobre Dia da Bandeira. Cada aluno ficou encarregado de atuar em respectivas áreas. A princípio, Chico não tinha sido incluído em nada. Logo depois, vemos que a Dona Marocas deixou o mais importante para ele: Chico foi o escolhido para declamar um texto em comemoração à data. 



Vemos o pessoal impressionado com a função dele, expressando admiração e satisfação. Não demora muito para percebermos a dificuldade que ele tem para decorar sua fala. E quando chega o dia certo, o dado momento, as crianças estão todas eufóricas com a presença dos pais, amigos, vizinhos, muitos adultos da Vila Abobrinha que foram prestigiar a apresentação, mas Chico não é mostrado com uma cara nada boa. Ele já sabia todo o texto que precisaria dizer, porém, a sua timidez em excesso (mostrada no primeiro quadrinho, com a Rosinha) estava tornando aquele momento um pesadelo. 

Todas aquelas pessoas começaram a olhar para ele, que simplesmente começou a 'travar' no palco, diante de todos. É claro que os amigos deram uma 'forcinha' (meio que por trás das cortinas, sem ninguém perceber) e tudo acabou dando certo. 

Foi engraçado o artista ter feito Chico indo ao palco, colocando seu tamanho bem pequenininho em relação aos demais e, após sua apresentação, ele retornando pelo mesmo corredor, mas com seu tamanho alterado para bem maior do que os outros. Essa foi uma maneira bem interessante de expressar a situação em que nos dá um frio na barriga quando estamos sendo vistos em público e, posteriormente, a satisfação de conseguirmos cumprir com o compromisso. 

Infelizmente não consegui encontrar a referência da publicação desta HQ. Uma curiosidade são os cabelos excessivamente bem feitos do Zé da Roça e da Rosinha, que aparecem sem o brilho costumeiro na parte superior de suas cabeças. Os traços são levemente mais grossos e harmoniosos, onde temos a impressão de que os personagens estão discretamente mais fofinhos. Até remetem à lembrança inconsciente do estilo 'superfofo'. Sim, uma vaga lembrança, pois a era 'superfofa', apesar de apresentá-los notoriamente mais rechonchudos, os quadrinhos bastante diferenciados e os personagens com angulações e expressões estereotipadas eram características fáceis de serem percebidas. Fato que nem de longe ocorre no estilo desta HQ de agora que, apesar de trazer um estilo bonito e carismático, era composto por quadrinhos padrão, linhas retas ou curvilíneas em perfeita harmonia, proporcionando assim uma atmosfera mais estática, sóbria e equilibrada.

Foi um prazer compartilhar o ALMANAQUE TEMÁTICO - CHICO BENTO - ESCOLA com vocês. A prioridade era falar apenas de algumas HQs, as mais marcantes de minha preferência, mas foi difícil ficar apenas nelas. 

Trata-se de um apanhado importante de tramas que divertem e mostram que a escola é um lugar interessante e importante às crianças, pois elas aprendem mais sobre o mundo, vão ampliando seus horizontes em conhecimento e também desenvolvem noções de vivência e sociabilidade através dos coleguinhas e demais pessoas que compõem o ambiente.

Ah! Antes que eu me esqueça: esta edição contém 164 páginas. Muito menos do que alguns amigos leitores aqui do blogue pensaram. Eh! Eh! Eh! Mas penso que nem é preciso mais, uma vez que as historinhas são curtas e cumprem bem o seu papel. Como ele foi focado apenas no universo do Chico, não há um 'mix' de outros núcleos para que a gente dê aquela 'respirada' básica de tanta escola e Vila Abobrinha. Bem que poderia acontecer, de fato, algumas tramas com personagens diferentes, afinal, a MSP é composta por uma boa diversidade. Apesar de divertido, manter a mesma ambientação, do começo ao fim da revista, fica cansativo. 

E quem sabe um dia a Mauricio de Sousa Produções resolve facilitar a vida de seus leitores, admiradores e pesquisadores criando um banco de dados próprio de suas historinhas, revistas e publicações em geral, de fácil acessibilidade, para organizar e documentar suas obras...

Postagens anteriores:








Um abraço a todos. Muito obrigado pelo carinho, o tempo, a consideração de vocês pelo conteúdo que venho desenvolvendo.

Fabiano Caldeira.



3 comentários:

  1. Esse Chico especial foi muito bom sem dúvida. Escolheram histórias da fase de ouro. Essa hq "Quem declama não reclama" é de Chico Bento nº 153 de 1992.

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    1. Oi, Marcos! Cheguei a pensar que fosse mais antiga. Mas os traços sao5 bem dessa época mesmo. Obrigado! Um abraço.

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    2. Agora que você falou revista, fui no site do Paulo Back e a vi. Ele escreveu "reclama" em vez de "declama". Por isso o Mr. Google não tinha localizado nada. Se a gente põe uma vírgula diferente, não sai nada na pesquisa.

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Peço educação e gentileza na troca de ideias. Obrigado!