terça-feira, 23 de maio de 2017

Disney BIG n° 1 brasileira


Em Dezembro de 2008 a primeira Disney BIG brasileira veio à tona. Diferente das 500 páginas da Italiana, criada em Maio do mesmo ano, até hoje a nossa BIG contém cerca de 300 páginas de quadrinhos + capa, contracapa e índice das histórias. 


Além disso, as primeiras cinquenta páginas de HQs não trouxeram nada de especial. Ela abriu com um Mestre Disney que ganhou minha admiração e respeito, o Marco Rota, que sempre tem boas histórias, porém, é preciso admitir que, para uma primeira revista de um título de peso, não foi uma boa escolha.

Em seguida, veio uma da fase do Mickey pateta, que são roteiros bem simples onde o rato tem ações e reações que desagradam aos seus leitores mais acostumados em vê-lo envolvido em casos de investigação agindo quase como um Sherlock. Lembro que muitos expressavam no finado Orkut o descontentamento por essas histórias simples onde diziam que o Mickey mais parecia o Pateta, que isso era chato, que descaracterizaram a personalidade dele etc. 

Depois, vieram três HQs com a produção brasileira, o que seria ótimo desde que, antes, já tivéssemos passado por alguma aventura realmente icônica, o que não aconteceu. As produções brasileiras, por mais divertidas que sejam, não chegam a ser consideradas extremamente necessárias, importantes, ímpares, pois elas possuem situações apenas cotidianas e não refletem nenhum marco ou acontecimento de destaque, não trazem nenhum diferencial a ponto de serem consideradas grandes aventuras no mesmo patamar de Carl Barks, por exemplo, e até mesmo do Paul Murry que, por meio de toda sua simplicidade (às vezes irritante), transmitiu, sim, certa genialidade às aventuras do Mickey. Então, dentro deste contexto de início da número um, essas três histórias brasileiras apenas proporcionaram um começo morno ao Disney BIG.

Somente depois das mais de cinquenta páginas de enrolação é que o público finalmente conseguiu, de fato, acompanhar aquela que deveria ter sido a HQ que abriria com chave de ouro o título: 

A PRIMEIRA INVENÇÃO DO PARDAL - NASCE O LAMPADINHA tem duas partes e mostra a criação daquele minúsculo ajudante do Prof. Pardal. Não sei se houve outra versão. Don Rosa merece o devido respeito por se fazer notável pelas suas obras. E esta não é uma exceção.


Se tivessem aberto a revista com esta obra-prima de Don Rosa, inserido as duas do Marco Rota logo após e, em seguida, as três brasileiras, com certeza, minha impressão subiria horrores. Para quem acredita que a ordem dos fatores não altera o produto, eis aqui um belo exemplo de que altera sim. 

Ainda sobre essa origem do lampadinha, ela foi republicada na série atual do Disney Especial  - Os Cientistas, lançada em Julho de 2016. 

Don Rosa reapareceu com as obras: DE VOLTA A TRÁ-LÁ-LÁ e FUGINDO DO VALE PERDIDO, que fechou a edição.



Outras HQs que destaco:

O FANTASMA QUE TINHA FOME 
roteiro: Carl Fallberg - desenhos: Paul Murry
Publicada em Tio Patinhas n° 32, em Março de 1968,
Disney Especial n° 39 - Os Fantasmas (1a. série), em Novembro de 1978,
Disney Especial Reedição n° 38 - Os Fantasmas, em Fevereiro de 1987,
Novo Disney Especial n° 11 - Os Fantasmas, em Agosto de 2003 e
na série atual do Disney Especial - As Assombrações, em Junho de 2016.




AS SUPERFORMIGAS 
roteiro: Arthur Faria Jr. - desenhos: Euclides K. Miyaura
Publicada em Almanaque Disney n° 187, em Dezembro de 1986,
Zé Carioca n° 1933, em Março de 1992 e
novamente em Almanaque Disney n° 346, em Maio de 2002
https://coa.inducks.org/story.php?c=B+860106



O COLAR SAGRADO
roteiro e desenhos: Marco Rota
Publicada em Tio Patinhas n° 435, em Outubro de 2001
https://coa.inducks.org/story.php?c=D+2000-061


Agora vocês já têm uma ideia de como são as Disney BIG n° 1 italiana, portuguesa e brasileira. Aqui (no Brasil), ela ainda é publicada sob qualidade relativamente boa, o que normalmente acontece aos títulos com grande números de páginas que, com o tempo, vão passando por transformações. Há edições muitos boas e outras nem tanto. Ela já foi toda destinada às republicações. Hoje, inclui aventuras inéditas. 

Falando nisso, chegou às bancas Disney BIG n° 45, que traz RATÓPOLIS. A obra faz alusão ao filme METRÓPOLIS, de Friz Lang, produzido há cerca de 90 anos e considerado um grande ícone do expressionismo alemão. Você pode saber mais sobre esse histórico filme aqui ou aqui


Postagens anteriores de Disney Big n° 1


Abraços a todos!

Fabiano Caldeira.




6 comentários:

  1. Legal. Estava esperando esse post. Bacana comparar com as outras. Dentre as versões de Disney Big nº1 apresentadas, essa é a única que eu tenho. Esse detalhe na ordem das hqs me passou desapercebido, mas tenho que concordar com você que daria outro valor na revista se tivessem vindo nessa disposição.

    Tenho praticamente todos os Disney Big, comecei a colecionar a partir do nº 19 se não me engano, e os anteriores eu comprei em sebo, inclusive esse nº1. Aprovo as mudanças feitas, gosto de inéditas nessa revista até porque é o único espaço que sobrou pra publicação dessas HQs mais longas. Prefiro assim do que quando vem dividido em duas partes como é de costume na mensal do Mickey.

    Ponto negativo que destaco é a falta de uma lombada mais animada. Esse vermelho igual pra todas sem ao menos a numeração é muito triste. Eu agora estou guardando as Disney Big dentro de caixa de papelão (aquelas que vem no GoBOX) porque não me animo com essas lombadas na estante e também porque condiciona bem.

    Parabéns pela série de posts. Aguardo ansiosamente os próximos temas.

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    1. "Aprovo as mudanças feitas, gosto de inéditas nessa revista até porque é o único espaço que sobrou pra publicação dessas HQs mais longas."
      Oi, Sérgio! Tudo bem? Então...no começo eu estranhei um pouco, mas logo compreendi que se tratava de aproveitar o espaço. O Almanaque Disney teve várias inéditas também e nem por isso foi ruim. Muito pelo contrário! O que dá receio é pagarmos 15 contos por uma HQ inédita de cerca de 60 a 90 páginas e depois termos o resto da revista com historinhas ruins ou aquelas legais, porém, que já foram republicadas infinitas vezes. Estou sempre atento à seleção das HQs para ver se não vou levar para casa um repeteco. E olha que nem sou um colecionador desses grandes.

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    2. "Ponto negativo que destaco é a falta de uma lombada mais animada."
      Foi o tempo que a Abril sabia fazer lombada. Se é que houve mesmo esse tempo. Inclusive o Almanaque Disney está vindo aí com lombada de grampos, já que a reclamação em torno dos almanaques bimestrais estavam sendo tamanhas que começou a ficar realmente feio para a Abril. Então, parece que eles irão abolir a lombada quadrada o quanto puderem. No caso de BIG e ESPECIAL, só não aboliram porque realmente não tem jeito mesmo. Mas virá a Mônica BIG agora, também com 300 páginas, para ensinar a Abril como se faz lombada e encadernação. Se bem que tenho muito medo das histórias que colocarão nessas edições. Muito pouco se aproveita da MSP ultimamente.
      Um abraço! Tudo de bom!

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    3. Eu vi a propaganda dessa Mônica Big de 300 páginas. To pensando em comprar. Faz muito tempo que não compro/leio Turma da Mônica. Dá saudade. Eu gosto. Tem o Horácio, Astronauta, Penadinho, Papa-Capim... No atual momento esse seria o melhor custo beneficio em se tratando de Turma da Mônica, né? 300 páginas por R$15. Não sei o preço das fininhas. Vou dar uma chance.

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    4. Oi, Sérgio! Vou comprar essa primeira. Espero que seja bom.

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    5. A própósito: amanhã terá 'unboxing' de duas edições mais que especiais da Disney no Socializando HQ do You Tube.

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Peço educação e gentileza na troca de ideias. Obrigado!